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quarta-feira, 10 de abril de 2013

A mulher que protege o presidente dos EUA

Julia Pierson 

O homem mais protegido do mundo, Barack Obama, colocou sua segurança e a de sua família nas mãos de uma mulher. Numa agência normalmente associada à "cultura machista dominante", o Serviço Secreto tem Julia Pierson como diretora desde o mês passado, por ordem de Obama e sem necessidade de confirmação do Senado.

Com 53 anos, Pierson passou mais de 30 numa agência cujos membros juram proteger com a própria vida a do presidente, de sua família e seu entorno. Até sua nomeação, Pierson era chefe de gabinete do diretor que deixou o cargo, Mark Sullivan, que anunciou sua aposentadoria há dois meses e se desculpou pelo que foi, talvez, o capítulo mais escandaloso da história do Serviço Secreto: uma dezena de agentes se viram envolvidos num caso de prostituição durante a Cúpula das Américas no ano passado em Cartagena das Índias (Colômbia).

Como resultado, muitos viram a designação de Pierson como uma tentativa de reformar uma agência na qual impera um estilo de clube masculino britânico do século 19, com agentes encarnados no cinema por Clint Eastwood. Entre os 3.500 agentes especiais, 90% são homens e a folha de pagamento total do Serviço Secreto é composta por 75% de homens. A primeira mulher entrou no corpo em 1970 e no ano seguinte, outras cinco juraram o cargo como agentes. Os dias convulsos que se seguiram a Cartagena revelaram que no prestigioso "clube de homens" imperava um lema secreto: "Decolamos! Podem tirar as alianças!".

Criticado por formar um gabinete no qual havia cada vez menos diversidade racial e imperavam os homens, o presidente Obama colocou outra mulher nas altas cúpulas, embora seu nome não tenha sido revelado, uma vez que ela está à frente do Serviço Secreto da CIA, o corpo de espiões de elite que obtêm informações vitais tanto para a segurança nacional quanto para a política externa exercida por Washington. O jornal The Washington Post disse que esta mulher administrou os programas de tortura que foram colocados em prática depois do 11 de setembro, o que instigou a imaginação dos mais adeptos de Hollywood e que veem a protagonista de "A hora mais escura" sentada num escritório de Langley (sede da CIA).

Mais um nome para uma lista curta: Lisa Monaco, 45 anos, atual assessora de segurança em matéria de anti-terrorismo da Casa Branca, é cogitada para substituir o atual diretor do FBI, Robert Mueller, em setembro próximo. Isso mudaria o quadro do poder predominantemente masculino nas principais agências de segurança do país.

Apesar de ter sido criado em 1865 para lutar contra a falsificação de dinheiro – responsabilidade que ainda tem presente em sua missão -, em 1901, depois do assassinato do presidente William McKinley, o Congresso dos EUA pediu ao Serviço Secreto que se ocupasse da proteção do presidente em exercício. Com o passar dos anos, o organismo expandiu seu âmbito de atuação e protege os ex-presidentes e seus filhos até os 16 anos, os candidatos à Casa Branca e os chefes de Estado estrangeiros que visitam o país.

O Serviço Secreto perdeu parte de seu prestígio durante o escândalo de Cartagena."Espero que ela tenha sucesso para restaurar a credibilidade [do Serviço Secreto]", declarou o senador republicano Charles Grassley depois da nomeação de Pierson.

"[A escolha de] Pierson valoriza muitas outras mulheres que estão nas forças de ordem e finalmente têm seu mérito reconhecido", declarou Margaret Moore, agente aposentada da agência federal norte-americana que controla as armas, o álcool e o tabaco.

Nascida em Orlando (Flórida), Pierson trabalhou enquanto estudava no instituto local. Depois de passar três anos na polícia da Flórida, entrou para o Serviço Secreto em 1983. Em 1988, foi transferida à divisão que protege o presidente e também fez parte da equipe que cuidava da segurança do presidente George Bush até 1992. Nesse mesmo ano, transformou-se em coordenadora do programa de drogas da agência, e em 1996 foi promovida a agente especial à frente do Escritório de Operações de Proteção. Depois de passar pela unidade de crime cibernético em Tampa (Flórida), foi parar finalmente em Washington, onde começou sua ascensão até chegar em 2008 à chefe de pessoal da agência.

O Serviço Secreto faz juz a seu nome e pouca coisa se sabe sobre o que acontece em seus bastidores. A própria Pierson reconheceu numa entrevista recentemente que "as pessoas não se dão conta da quantidade de trabalho e preparação que há em cada viagem que o presidente faz, desde onde ele vai dormir, até se vai de avião ou carro, por exemplo".

Pierson não concede entrevistas. Ninguém no Serviço Secreto o faz. A agência vive sob o lema "sem comentários". Por isso, quando Ronald Kessler publicou em 2009 seu livro, "No Serviço Secreto do Presidente", este transformou-se automaticamente num sucesso de vendas. Mais de 100 agentes receberam permissão do governo de George W. Bush (2001-2009) para falar com o antigo repórter do The Washington Post e soltaram o verbo sobre anos de anedotas, fofocas e queixas acumuladas.

O livro contribui com pouco mais que isso. Nem sequer avalia o fato de que esses homens e mulheres teriam que proteger, a partir de 2009, o primeiro presidente negro da nação. As ameaças de morte dispararam cerca de 400% depois de sua eleição em relação a seus antecessores.

O quartel geral do Serviço Secreto fica a poucas quadras da Casa Branca, na esquina da rua Nove com a H. Em sua entrada, grandes letras prateadas enunciam o lema da agência: "Merecedora de confiança e segurança". A mesma frase está estampada nos cartões de visita dos agentes, homens que relataram a Kessler que Jimmy Carter é considerado pelo corpo como o presidente mais arrogante e ofensivo do grupo elitista; que Lyndon B. Johnson tinha um "estábulo" com mulheres e costumava se embebedar em seu rancho e sair para urinar no jardim na frente dos agentes; que Richard Nixon era um governante "estranhamente moderno" e que seu sucessor, Gerald Ford, era amável, mas muito tacanho.

Testemunhas dos casos de JFK
Ronald Kessler deixa claro em seu livro "No Serviço Secreto do Presidente" que os homens de rosto impassível, com óculos escuros onipresentes e um fone no ouvido, a guarda pretoriana do presidente dos EUA, são bastante conservadores politicamente. Parecem falar mais mal dos presidentes democratas do que dos republicanos. "As pessoas ficavam loucas ao conhecer Reagan", dizem sobre o ator que se tornou presidente, a quem descrevem como "muito próximo". "Um grande homem", dizem do Bush filho. "Uma pessoa com quem era muito agradável estar", dizem sobre o pai do anterior. Segundo o agente especial Robert Sulliman, Carter chegava ao Escritório Oval às 6h30, trabalhava um pouquinho e logo tirava uma longa siesta. Em geral, os entrevistados dizem que não suportavam a falta de pontualidade a que eram submetidos tanto pelo presidente Bill Clinton quanto por seu vice, Al Gore. Mas Bush filho estava sempre no horário, dizem.

O Serviço Secreto sempre será interrogado sobre os casos amorosos de John F. Kennedy. Ficou provado que ele dormia com Marilyn Monroe e que os agentes viviam sob um temor constante de que Jackie o surpreendesse num encontro amoroso clandestino. Mas os agentes Chuck Taylor e Larry Newman descrevem – como um par de garotos travessos – os casos de mais de 40 anos atrás do malogrado presidente Kennedy ao relembrar como ele se divertia na piscina da Casa Branca brincando de "camisas molhadas" com duas secretárias apelidadas de Fiddle e Faddle. "Dava para ver seus mamilos", relatam esses homens que guardavam a segurança do presidente e que hoje deverão acatar as ordens de uma mulher.

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