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| Tammam Salam |
Durante todo o fim de semana, foi incessante o vaivém na elegante casa do novo primeiro-ministro libanês, Tammam Salam, no pátio de um bairro popular de Beirute. Ilustres e voluntários da instituição de caridade que por muito tempo ele dirigiu passaram para cumprimentar esse deputado sunita da capital, encarregado no sábado (6) pelo presidente Michel Suleiman de formar um governo. Na terça-feira (9) ele iniciaria consultas para compor sua equipe.
O consenso em torno da nomeação desse homem afável e ponderado, herdeiro de uma conhecida família política, foi considerado providencial em meio a um contexto político tenso. Ele abre caminho para um relativo apaziguamento, em um país desestabilizado pelo conflito sírio. Salam, 67, foi validado pela Arábia Saudita e pela aliança pró-ocidental do chamado "14 de Março" (de onde saiu), que voltaram a assumir o controle no tabuleiro político nacional. Mas, acima de tudo, ele foi escolhido por Walid Joumblatt, líder do partido druso, cujos sete deputados podem fazer e desfazer coalizões governamentais. Ele também recebeu o aval da aliança "do 8 de Março", dominada pelo Hezbollah e apoiada por Teerã.
Sua nomeação afasta o fantasma de um vazio político, após a demissão, no dia 22 de março, do gabinete de Najib Miqati, apoiado pelo Hezbollah. Mas ela não resolve as disputas que têm minado o cenário político libanês. Não se chegou a nenhum acordo sobre a legislação eleitoral que deve regulamentar a eleição legislativa prevista para junho. Esse fracasso contribuiu para a decisão de Miqati de deixar o cargo. Ao "Le Monde", Salam afirmou que a organização das eleições será a "missão principal" de seu governo.
Ele pede por um esforço nacional para que o prazo seja respeitado, uma vez que a realização da votação permanece cercada de incertezas. Até o momento somente vinte candidaturas foram apresentadas para os 128 postos vagos de deputados, o que levou o presidente a adiar o encerramento de inscrições. "As querelas sobre a legislação eleitoral são anacrônicas, o país está atravessando uma crise existencial, à sombra do conflito sírio", observa Karam Karam, pesquisador na Common Space Initiative em Beirute. "A prioridade dos padrinhos regionais dos atores libaneses se encontra na Síria. Eles são claros sobre alguns princípios: nada de conflito armado e nada de impasse político no Líbano. Mas, para isso, a elite política libanesa deve ir além de seus interesses".
Segundo um diplomata lotado em Beirute, "os partidos parecem não estar com muita pressa de participar das eleições, preferindo esperar para ver o que acontece em Damasco. Mas esperar o quê? A guerra na Síria alimenta as tensões e estas não desaparecerão com a queda de Bashar al-Assad". A política do Líbano diante do conflito sírio, que divide radicalmente o país, é outra questão complicada herdada pelo novo premiê. O Hezbollah xiita e seus aliados apoiam Bashar al-Assad, enquanto o lado do "14 de Março", conduzido pelo líder sunita Saad Hariri, espera por sua queda.
Salam, que se diz a favor da "liberdade do povo sírio" e condenou nos meses passados as operações do exército sírio nas regiões fronteiriças libanesas, tem se exprimido com cautela desde que foi nomeado.
O primeiro-ministro designado quer reprimir as tensões religiosas, oriundas de divisões sobre a Síria, mantendo uma "posição nacional e tentando limitar os danos do envolvimento de certas facções libanesas, sunitas ou xiitas, na Síria"
A neutralidade desejada por Najib Miqati foi o principal obstáculo de seu gabinete. "A política de dissociação deve ser conduzida pelos partidos. Só que nenhum deles se dissocia daquilo que está acontecendo na Síria, e o governo não tem a capacidade de controlá-los", acredita Karam.
Por ora, Salam deverá arbitrar as rivalidades entre os partidos na distribuição das pastas e na elaboração de seu plano de ação. O novo primeiro-ministro não disse se formará um governo de tecnocratas ou de "unidade nacional", como quer o Hezbollah. Ele garante que este último, que sofreu um revés moderado com a queda do gabinete que ele dominava com seus aliados, terá um "papel a exercer" no próximo Executivo.






Engraçado que hoje a notícia lá é o atraso dos estádios da Copa XD, mas tá difícil, o Hezbollah luta não apenas com a perda de cargos, mas de prestígio a guerra da Síria da maneira que vem sendo travada é impopular e o desastre do episódio dos reféns do golfo ainda repercute, veladamente passaporte libanês xiita não consegue emprego no GCC.
ResponderExcluirE mesmo dentro do bloco xiita, outros grupos ligados aos Clãs do Beeka parecem irritados e dessa vez podem lançar candidatos próprios, afinal a própria hegemonia do Partido leva a certos desgaste natural.
O que me parece pelas notícias que vem é que eles vão jogar com o fantasma do salafismo radical (bom jihadista, Michael, é complicado como você sabe por que quem cumpre o dever na Síria é enterrado cumprindo o dever jihadista, mesmo os "escondidos") para unir os Shii.
Das propostas, a partido armênio, o Solidariedade, Sebouh Kalpakian me parece a melhor, forma um governo de tecnocratas até a eleição e faça algumas modificações para finalmente destravar a economia do país principalmente no que se refere aos campos de Gás do Mediterrâneo nada de muito polêmico, mas algo que no Brasil chamamos de marco regulatórios.
Se esse novo primeiro-ministro libanês, Tammam Salam, for pró-ocidental, acho que ñ vai dar certo. Enfim aguardemos, pois os EUA e Patota sempre estão do lado errado, quem estiver vivo, verá.
ResponderExcluirSe ele não for pró-ocidente vai só conseguir pobreza, as áreas que a Síria ilegalmente mantinha depois da guerra civil são as menos dinâmicas do país, Tripoli depois da expulsão da OLP e a derrota dos aliados sunitas só empobreceu, hoje apesar da recuperação ainda 51% vive com menos de 4 dólares diários, enquanto isso o Sul que era zona mais pobre ganhou terreno.
ResponderExcluirO próprio Jabal Mohsen, "a famosa forteza Alawitta" vive do contrabando desde então e hoje tem 63% na linha de pobreza.