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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Le Monde: China precisa investir em reformas para manter destaque internacional


Quando era governador da província de Guangdong no final dos anos 1970, Xi Zhongxun, que havia conduzido a luta revolucionária ao lado de Mao, meio século antes, fez uma constatação: é preciso se abrir para prosperar. Ele foi um dos que levaram esse conselho a Deng Xiaoping, o homem a quem a China deve por ser a segunda maior economia do planeta, três décadas depois.

Seu filho, Xi Jinping, estaria inspirado a seguir o conselho paterno. Às vésperas de assumir a liderança do partido único, dentro de algumas semanas, e do Estado chinês, na primavera de 2013, multiplicam-se os apelos por uma nova onda de reformas econômicas. O leque vai desde sugestões benevolentes até críticas ácidas, tendo por ponto em comum o questionamento do domínio do Estado. Seu poder era o motor das reformas e a chave do sucesso chinês há uma década, quando Hu Jintao e Wen Jiabao chegaram ao poder. Sua onipresença hoje se tornou um peso para o crescimento.

A equipe em exercício soube investir em infraestrutura essencial e na moradia social, projetos que contribuíram para a travessia controlada da tempestade dos cinco últimos anos. Mas o Partido Comunista aproveitou esse movimento para se reforçar e hoje se encontra reticente em fazer concessões por "interesses particulares", expressão que designa discretamente os lucros dos dirigentes do Estado no Partido. "Esse governo permitiu que a economia crescesse, mas ele tentou manter tudo intacto", acredita Andy Xie, ex-economista-chefe da Morgan Stanley na Ásia-Pacífico. "A chamada política da harmonia foi sinônimo de estagnação".

O plano de estímulo de 2008, por um tempo bem-vindo, foi criticado abertamente. A China tem aproveitado as estradas e linhas de trem-bala que surgiram desde então, mas esses gastos beneficiaram essencialmente as empresas públicas, cujos diretores são nomeados pelo comitê central. Muitos desses mastodontes públicos se aventuraram na especulação imobiliária, para multiplicar seus lucros, suscitando a ira do povo que tem dificuldades para encontrar moradia. Esse "espírito" da reforma é um movimento, controlado e progressivo, na direção de um fortalecimento do papel do setor privado, que está mais exposto à desaceleração.

Bem ciente dessas críticas, Wen Jiabao tem se esforçado para defender suas realizações. Entre 2003 e 2011, com média de crescimento de 10,7%, a China passou de sexta para segunda maior economia mundial, as patentes aumentaram 15,2 vezes, foram construídos 13 mil quilômetros de ferrovias etc. Se não houvesse gastos públicos, ressalta o atual primeiro-ministro, os operários teriam voltado para o campo e as fábricas teriam fechado.

Com 7,5% previstos pelo governo para este ano, o crescimento perdeu quase três pontos em dois anos. A recuperação que a maior parte dos banqueiros antecipava para o verão ainda está sendo esperada. Segundo Li Daokui, diretor do Centro sobre a China na Economia Mundial da Universidade de Tsinghua, o país ainda não entrou necessariamente em crise, mas o temor de que isso aconteça é tanto que será preciso mudar de direção. Esse ex-conselheiro do Banco Central acredita que o crescimento de seu país ainda não terminou. O PIB chinês por habitante continua sendo apenas 18% do valor americano. A China poderá chegar a 75% desse padrão de comparação até 2020. Mas, com uma condição, e com certa urgência: "se a China conseguir se reformar".

Para Li Daokui, o país não poderá ignorar o Estado de direito. "O ambiente jurídico vem se degradando há cinco anos", ele opinou durante a sessão de verão do Fórum Econômico Mundial, em meados de setembro. Esse tema não é mais privilégio da oposição política. As empresas chinesas têm buscado fazer valer seus direitos e não somente pela rede de favoritismo de seus diretores, que às vezes ficam de malas prontas caso as coisas degringolem... Também nesse caso é o papel do Partido que está em jogo. Os advogados ficam nervosos quando se trata de defender qualquer um que tenha relação com ele. "Não havíamos percebido que sem fundamentos legais não era possível gerir a economia", constata Li.

Resta determinar quais reformas, uma vez que o "modelo chinês" não é uma receita finalizada. Nem se cogita deixar de lado todo o poder estatal, a China acredita que a chave de seu sucesso econômico é não ter seguido o "Consenso de Washington": sem reforma das taxas de juros, um sério controle do câmbio, sem desmantelamento dos monopólios e, independentemente do que diga Pequim, sem plena abertura das barreiras comerciais.

Em um artigo publicado na revista "Caixin", o ex-economista-chefe do Banco Mundial, Justin Lin Yifu, afirma que é preciso encontrar o equilíbrio certo quanto ao papel do Estado. Pequim deve apoiar seus novos pioneiros tecnológicos no lugar de seus velhos privilegiados. Nos últimos anos, essas distorções com frequência beneficiaram as indústrias - e os oficiais - acostumadas a viver de sua renda, em detrimento da maioria dos chineses. Portanto, caberá a Xi Jinping apoiar a economia da China de amanhã, e não a de ontem.

4 comentários:

  1. Enquanto a China ainda crescer pelo menos 7,5% como o previsto para esse ano, qual a lógica mudar? Quem tem hoje alguma moral pra falar em crescimento se a China cresce mais que todo mundo e com folga? É claro que um país de 1,3 bilhões de habitantes,não tem como ter o padrão de vida similar há um país europeu de 10 ou 20 milhões de habitantes (isso quando tem tudo isso muitos tem bem menos que isso de população). A China sempre vai receber criticas afinal não é um país que tenha seu modelo baseado em imitar o mundo decadente ocidental. A China caminha para ser a maior economia do mundo, e caminha para ser no minimo a segunda maior potência militar do planeta (recentemente desenvolveram ICBM capaz de atacar qualquer cidade dos EUA). Ninguém é perfeito a China tem seus defeitos, mais mesmo assim vem dando uma aula em política e economia ao ocidente os fatos dizem por si só.

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  2. O ICBM que falei para quem não tenha lido a respeito, é o Dongfeng 41, ele é capaz de atingir qualquer cidade grande dos EUA, segundo autoridades americanas.O link falando sobre.
    http://www.chinesedefence.com/china-test-fires-icbm-dongfeng-41-323/

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    Respostas
    1. -
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      a China pode ter o .. ICBM dragon-ball-gokuu que for... se disparar contra os EUA são 2 bilhões de incinerados... e o mundo no inverno nuclear....
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      resumindo.... as baratas vencem... rs
      -
      XTREME

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  3. Olha se a China vai superar a Rússia militarmente eu não sei, mais que está sobrando como a terceira força isso está, se tu for olhar soldados, tanques, peças de artilharia a China hoje sozinha tem mais que á União Europeia toda junta. A China se quiser partir futuramente para guerras é um poder militar altamente temível. E qualidade eles estão melhorando, conforme avança a tecnologia deles também. Mais duvido que a China represente ameaça para França e Reino Unido, afinal eles tem armas nucleares, esses estão seguros, mude o que mudar na política mundial.

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