Membros da Al-Qaeda na Mesopotâmia têm invadido bancos de sangue e hospitais armados e roubado sangue para os seus combatentes feridos, ao invés de correr o risco de que sejam detidos em instalações médicas, de acordo com médicos iraquianos, funcionários de centros de saúde e os próprios sunitas insurgentes.
As autoridades sanitárias do Iraque dizem que os ataques vêm ocorrendo há algum tempo em províncias com grandes populações sunitas e parecem sinalizar uma insurgência desesperada para salvaguardar o seu núcleo de combatentes.
Os membros da força de segurança iraquiana que protegem as instalações médicas muitas vezes ficam de braços cruzados enquanto os assaltos à mão armada acontecem, de acordo com os funcionários.
Isto tem reforçado as dúvidas sobre a capacidade do Iraque de lidar com a insurgência, ainda que elea seja menor, conforme os Estados Unidos continuam a reduzir suas tropas no país.
Hadad Hamad, um médico da província de Anbar, disse que os ataques acontecem no oeste do Iraque desde 2005, quando "insurgentes da Al-Qaeda invadiram o banco de sangue do Hospital Al Qaim e levaram grandes quantidades de sangue" para uma vila próxima, aparentemente para tratar os feridos.
O hospital, perto da fronteira com a Síria, continua a ser o foco dos ataques da Al-Qaeda. Neste verão, o hospital foi fechado durante vários dias para proteger os trabalhadores depois que médicos e outros funcionários receberam ameaças de morte por se recusarem a cooperar com as exigências da Al-Qaeda por sangue e outros tipos de ajuda.
O que não está claro, no entanto, é se o sangue roubado realmente é capaz de ajudar os feridos. Sangue que não combina pode ser fatal.
Desde o assassinato do principal líder da Al-Qaeda na Mesopotâmia em abril, os militares americanos tem retratado os insurgentes como um grupo em desordem.
"Nós achamos que eles estão envolvidos em tentar descobrir qual é o próximo passo para eles aqui no Iraque, então obviamente estamos tentando explorar isso", disse neste mês o general Ray Odierno, comandante das forças americanas no Iraque.
Mas as Forças Armadas americanas disseram não ter conhecimento de hospitais e bancos de sangue que estejam sendo invadidos por combatentes da Al-Qaeda armados e em busca de sangue.
Funcionários dos ministérios da Saúde, Defesa e Segurança do governo iraquiano também disseram não ter conhecimento sobre os ataques.
Funcionários do hospital dizem que não relataram o problema para as forças de segurança iraquianas, com medo de represálias ou porque acreditam que a polícia e o exército iraquianos têm membros simpáticos à insurgência.
Eles disseram que os ataques por sangue têm ocorrido nas províncias de Diyala, Salahuddin, Anbar e Nínive, mais frequentemente em Mossul, capital da província de Nínive.





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