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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Irã já completou um terço do “seu S-300”


O comandante da base aérea de Khatam ol-Anbia, o brigadeiro-general Farzad Esmayeeli, disse que o Irã está produzindo sua própria versão do sofisticado sistema de mísseis antiaéreos S-300 e acrescentou que o país já concluiu um terço do projeto.

Em coletiva de imprensa por ocasião ao Dia Nacional da Defesa Aérea, Esmayeeli disse que o Irã já concluiu mais de 30% do projeto de produção do sistema, sistema esse que foi batizado de Bavar (Crença) 373, e manifestou a esperança de que o Irã possa completar o sistema até março de 2013.

Esmayeeli disse que atualmente os cientistas e engenheiros iranianos estão desenvolvendo as partes mais sensíveis do sistema, caso do sistema de detecção de alvos e disse que eles não terão nenhum problema em “alimentar” o sistema com mísseis nacionais.

Sob um contrato assinado em 2007, a Rússia era obrigada a fornecer ao Irã pelo menos cinco sistema S-300.

A Rússia tem se recusado a entregar os sistemas para o Irã, sob o pretexto de que o fornecimento sistema viola a Resolução 1929 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O Irã rejeitou a justificação da Rússia, uma vez, segundo o Irã, o sistema é estritamente defensivo. Armas “defensivas” não foram proibidas em nenhum das outras três resoluções contra o Irã.

O sistema S-300 russo é um sistema de mísseis antiaéreos de longo alcance, produzido pela empresa NPO Almaz. O sistema foi concebido para defender na antiga União Soviética para proteger as instalações estratégicas de ameaças aéreas (caças, bombardeiros e helicópteros), bem como mísseis de cruzeiro.


Teria o Irã desenvolvido um novo UAV após ter capturado o RQ-170 Sentinel da CIA?


RQ-170 Sentinel
O Irã anunciou nesta segunda-feira que começou a utilizar Veículos Aéreos Não-tripulados (UAV por sua sigla em inglês) em suas unidades de defesa aérea, como parte de seus planos mais amplos para o reforço da capacidade de defesa aérea do país.

Em coletiva de imprensa por ocasião ao Dia Nacional da Defesa Aérea, que aconteceu hoje em Teerã, o comandante da base de defesa aérea de Khatam ol-Anbia, o brigadeiro-general Farzad Esmayeeli, disse que o Irã tem equipado as suas unidades de defesa aérea com os UAVs Haazem (Determinação).

O comandante iraniano não deu maior detalhes sobre o Haazem, tampouco sobre as missões que o mesmo desempenha.

Esmayeeli sublinho ainda o investimento do Irã na indústria de UAV, e ressaltou que o país foi capaz de atualizar sua tecnologia depois que eles (os iranianos) capturaram o UAV de alta tecnologia americano, o RQ-170 Sentinel.


General iraniano diz que as autoridades israelenses têm medo da respostas esmagadora de Teerã


Tenente-general  Mohammad Ali Asoudi
Um alto comandante iraniano advertiu ontem de uma respostas esmagadora de Teerã a qualquer tipo de agressão por parte do regime de Israel, e disse que até mesmo vários membros do governo de dos aparatos de segurança de Israel são contra um ataque à República Islâmica, uma vez que estão cientes do elevado nível de preparação do Irã e estão profundamente com medo da resposta de Teerã.

O Comanda do Corpo dos Guardiões da República Islâmica (Pasdaran) para Publicidade e Cultura Organizacional, o tenente-general Mohammad Ali Asoud, disse que alguns membros do gabinete de Tel Aviv estão conscientes da realidade e que se opõe a qualquer tipo de ataque militar ao Irã.

Dados os recentes progressos e as realizações da indústria de defesa do Irã, Asoudi disse que, em caso de um ataque israelense ao Irã, as autoridades do regime de Tel Aviv serão as primeiras vitimas do “assalto”.

Referindo-se à expansão do ódio entre os residentes das terras ocupadas “devido as politicas erradas adotadas pelas autoridades israelenses e o retorno de um grande número de judeus para suas terras natais na Europa, o oficial iraniano disse que “essas pessoas voltaram para seus países por causa da economia, crises sociais e politicas em Israel”.

Quatro israelenses se auto-imolaram em protestos contra a pobreza e os problemas econômicos em Israel desde de julho, quando um homem de 57 anos ateu fogo em seu próprio corpo durante um “protesto social” em Tel Aviv.

Sobre uma suposta resposta iraniana a ataque israelense , Asoudi disse: “Em caso de ataque militar de Israel contra o Irã, as autoridades do regime sionista de Israel serão as primeiras entre as vitimas de um ataque”.

Rússia terá novo ICBM em 2018 para substituir o “Satan”


A Rússia criará um novo Míssil Balístico Intercontinental (ICBM) pesado até 2018, informou hoje o comandante das Tropas de Mísseis Estratégicos (Raketnye voyska strategicheskogo naznacheniya), o coronel-general Sergei Viktrovich Karakayev.

“O progresso de desenvolvimento do novo foguete está avançado e previsto concluí-lo em 2018”, disse Karakayev.

O novo ICBM será destinado a substituir o ICBM R-36M2 Voyevoda (SS-18 Satan na nomenclatura OTAN).

Nunca é demais lembrar que os últimos ICBMs russos, caso do Bulava e o Topol-M (RS-24 Yars) são de combustível sólido.

Karakayev disse que o novo míssil terá uma massa de lançamento de cerca de 100 toneladas, com um melhor índice de peso de carga-lançamento do que um míssil de combustível sólido.

O ICBM dessa classe pode ser instalado em silos.

Rússia entrega mais um lote de helicópteros de ataque Mi-35M ao Brasil

Acima um Mi-35M brasileiro 

A Rússia entregou ao Brasil mais um lote de helicópteros de ataque Mi-35M “Hind E” e assim completou o contrato e espera entregar o último lote dos ditos helicópteros até o final do ano.

Um total de 12 helicópteros devem ser entregues em conformidade a um contrato de US$ 150 milhões assinado entre Brasil e Rússia em 2008.

“Os últimos helicópteros foram entregues em 29 de agosto, disse Igor Korotchenko, chefe do Centro de Análises do Governo Mundial de Armas.

“O Brasil irá receber o restante dos três helicópteros antes do final do ano e o contrato de 2008 será concluído”, disse Korotchenko.

O Mi-35M é a versão de exportação do Mi-24 Hind, helicóptero que foi usado extensivamente pela URSS na Invasão do Afeganistão. O Mi-24/35 é o único helicóptero de ataque que podem transportar carga ou tropas, além de realizar sua principal função: o ataque.

Contribuições corporativas podem mudar cenário das eleições presidenciais norte-americanas


Em fevereiro deste ano, mais de dois terços dos californianos acreditavam que levantar mais dinheiro das companhias de cigarros para financiar a pesquisa sobre o câncer era uma boa ideia. Isso foi antes que o dinheiro do setor entrasse.

Em pouco mais de três meses, oponentes gastaram US$ 41 milhões para derrubar a iniciativa – uma proposta para coletar mais um dólar na venda de um maço de cigarros – cinco vezes mais do que os apoiadores da proposta gastaram. Em 5 de junho, ela foi derrotada por 50,2% contra 49,8%.

Forças similares nos próximos meses podem moldar as eleições de novembro. Todos os fundos levantados para as disputas presidencial e do Congresso até agora são poucos em comparação com o dinheiro que deverá correr depois das convenções partidárias nesta semana e na próxima.

Esta é a primeira eleição presidencial desde que a decisão “Cidadãos Unidos” do Supremo Tribunal retirou as últimas barreiras para os gastos de campanha por parte de corporações e outros grupos. Analistas estão se preparando para uma onda de dinheiro de indivíduos ricos, companhias e sindicatos que poderá alterar a paisagem política e transformar a democracia norte-americana.

Os eleitores sempre temeram o papel do dinheiro corporativo nas campanhas eleitorais. Talvez surpreendentemente, ele na verdade não foi tão grande.

Gordon Tullock, um dos primeiros cientistas sociais a estudar os efeitos do dinheiro corporativo na política, observou que há 40 anos era um mistério o fato de as companhias não gatarem muito dado o imenso potencial de retorno por conta da mudança de votos dos legisladores.

Há dez anos, Stephen Ansolabehere, John M. de Figueiredo, e James M. Snyder do Massachusetts Institute of Technology escolheram o tema com um estudo chamado “Por que há tão pouco dinheiro na política dos EUA?”. Eles observaram que os gastos de campanha ao longo dos últimos 100 anos ficaram estagnados e talvez até caíram em relação ao PIB do país.

Em 2000, a contribuição média para um legislador por parte de comitês de ação política associados a sindicatos, companhias ou grupos da indústria era de apenas US$ 1.700, em média, revelou o estudo. Isso estava abaixo do teto legal de US$ 10 mil e era uma quantidade trivial considerando o que estava em jogo. Em 2000, o orçamento de compras da defesa foi de US$ 134 bilhões. Mas as empresas de defesa e seus funcionários contribuíram com menos de US$ 25 milhões para as campanhas de 1998 e 2000.

“A discrepância entre o valor da política e as quantias contribuídas prejudica as instituições econômicas básicas”, escreveram Ansolabehere e seus colegas. “Dado o valor da política em jogo, as firmas e outros grupos de interesse deveriam doar mais.”

Até os quase US$ 4 bilhões em gastos de campanha em 2010 é pouco se comparado ao US$ 1 trilhão de gastos do governo. E o dinheiro corporativo representou apenas uma pequena porcentagem do total.

Pode parecer inacreditável que haja “tão pouco” dinheiro corporativo na política. Mas faz um certo sentido. As corporações não doam mais dinheiro porque a maior parte do tempo não é tão eficiente para produzir os resultados que desejam.

Algumas eleições – pense na disputa para a prefeitura de Nova York – parecem ter sido decididas por um gasto de campanha absurdo de um magnata ou de uma corporação. Pressões de grupos lobistas de Wall Street quase certamente contribuíram para a derrubada do Ato Glass-Steagall, que proibia os bancos de entrarem em alguns negócios.

Mas, acima de tudo, há poucas provas de que o dinheiro é eficiente para mudar uma lei ou melhorar a balança final das corporações. Um estudo revelou que as mudanças nas leis de contribuição de campanha de 1971 a 2002 não tiveram impacto sobre o preço das ações das companhias que entraram em peso com gastos de campanha.

Por outro lado, jogar na política pode prejudicar a marca de uma companhia. O diretor executivo da Target teve que se desculpar há dois anos quando a contribuição da companhia para a campanha de Tom Emmer, o candidato republicano na disputa para o governo de Minnesota e forte oponente do casamento gay, levou a ameaças de boicotes em suas lojas.

Contribuintes de campanha podem afetar as prioridades dos políticos eleitos, abrindo a porta para lobistas de grupos de interesses. Estudos revelaram que companhias que fazem um lobby intenso são mais lucrativas, em média, do que as que não fazem. Ainda assim, as evidências sugerem que a maior parte das companhias não recebe nenhum retorno dos gastos com lobby. E embora as empresas tenham historicamente gastado bem mais para fazer lobby com legisladores do que em contribuições de campanha, os gastos com lobby também são pequenos em comparação com os benefícios que elas podem colher.

Richard Hall, da Universidade de Michigan, observa que os grupos de interesse dedicam a maior parte de suas contribuições de campanha e esforços de lobby para legisladores com os quais já concordam, ajudando-os a defender seu caso, e passando pouco tempo tentando persuadir oponentes. E os grandes doadores não têm acesso exclusivo aos legisladores, descobriu Hall. Os legisladores também dão acesso a grupos de interesse de mesma mentalidade sem dinheiro para doar.

De certa forma, essa narrativa pode fazer mais sentido do que o temor persistente de que grupos de interesse estejam moldando a política ao eleger seus aliados e dizer-lhes o que fazer.

O dinheiro pode mudar o destino de uma iniciativa eleitoral, como a Proposição 29 da Califórnia para taxar as vendas de tabaco, porque os eleitores têm pouco conhecimento do assunto. Mas a maioria dos eleitores norte-americanos começa com uma opinião sobre os candidatos numa disputa, especialmente os que já estão no poder. É caro mudar seus votos.

Estudando as disputas pelo congresso entre 1972 e 1990, Steven Levitt da Universidade de Chicago concluiu que o financiamento de campanha tinha um efeito minúsculo: US$ 175 mil a mais em gastos de campanha, em dinheiro de hoje, compraria apenas um terço de ponto percentual na votação final.

Ansolabehere, agora em Harvard, e Synder chegaram a conclusões similares: um candidato teria que dobrar os gastos de campanha para aumentar sua fatia dos votos em 4 pontos percentuais. E isso só se seu rival não responder gastando mais, também. Para um deputado típico na Câmara, isso significaria aumentar os gastos de US$ 750 mil para US$ 1,5 milhão.

O impacto minúsculo do dinheiro sobre os resultados eleitorais levantam uma questão, é claro: por que os políticos passam tanto tempo e fazem tanto esforço para levantar dinheiro? Talvez medo de uma disputa desigual se eles se desarmarem e o outro lado não. Ainda assim, isso fornece uma compreensão melhor do papel do dinheiro na política. O dinheiro não vence eleições, pelo menos não de uma forma lógica. E é improvável que os políticos eleitos vendam seus votos a grupos de interesses que não possam garantir sua reeleição.

A questão é se esta análise se sustentará na nova era de dinheiro fácil. Ou se o dinheiro terá a mesma influência na política nacional que teve com a proposta de imposto sobre o tabaco na Califórnia.

Mudanças legais e regulatórias que datam da lei de financiamento de campanha McCain-Feingold de 2002 facilitaram o caminho para forças independentes apoiarem ou atacarem um candidato com seu dinheiro. As companhias não fizeram grandes contribuições para os “super PACs” permitidos pelo Cidadãos Unidos, talvez por temerem uma repercussão negativa para suas marcas. Mas não conseguimos saber quando dinheiro elas estão gastando: elas doam de forma anônima para as organizações sem fins lucrativos chamadas 501c, qu estão se tornando atores importantes na campanha.

O fluxo de dinheiro na política está aumentando, já chegando mudando sua tendência de 100 anos: os gastos de campanha para as eleições de 2008 chegaram a 0,037% da produção do país, acima dos 0,031% de 2000. Esses novos recursos poderiam transformar as eleições em algo parecido com iniciativas de votação secreta, onde há provas de que o dinheiro molda o resultado.

Até bem recentemente, os gastos de campanha nas eleições nacionais estiveram equilibrados. Mas os gastos dos grupos de interesses podem mudar isso facilmente. Em 2008, Barack Obama gastou bem mais do que John McCain recusando o financiamento federal pela primeira vez. Eleições desiguais poderão se tornar a norma quando, digamos, Sheldon Adelson, Philip Morris ou a Federação Americana de Professores entrarem e virarem a balança.

Há alguns anos, West Virginia nos deu uma amostra do que a polícia nacional poderá ser uma vez que as corporações de fato se interessarem em usar seu dinheiro.

Em 2002, um júri em West Virginia ordenou que a AT Massey Coal Co. pagasse US$ 50 milhões para os acusadores. Durante o processo de apelação, o diretor executivo da Massey, Don Blankenship, envolveu-se na campanha para derrubar um juiz do mais alto tribunal do estado – gastando US$ 3 milhões de seu dinheiro para apoiar um aliado, Brent Benjamin.

É claro, ele venceu. Quando o apelo de Massey foi ouvido em 2007 e novamente em 2008, o juiz Benjamin juntou uma maioria de 3 a 2 para abolir o pagamento.

O Supremo Tribunal dos EUA acabou salvando West Virginia da aparente compra de justiça – mas com apenas uma maioria estreita de 5 a 4. O tribunal decidiu que Benjamin deveria ter pedido licença do caso para evitar o surgimento de um conflito de interesse. A questão mais ampla, a tentativa de comprar poder, foi deixada de lado pelo tribunal.

Será interessante ver o dinheiro corporativo influenciar o cenário nacional. Preocupada com a forma como o próximo governo irá implementar novas regulações financeiras, Wall Street adoraria fazer por Mitt Romney e republicanos do Congresso o que Blankenship fez por Benjamin. Com tantos canais para enviar seu dinheiro, talvez eles façam.

Sem equipamento, rebeldes sírios produzem armas com ajuda de muitos


Enquanto o sol de verão queimava nesta cidade parcialmente deserta na Síria numa tarde recente, dois jovens apareceram numa camionete numa rua perto de várias oficinas mecânicas. Projetando-se da base da camionete havia um cano de aço com cerca de 90 centímetros de comprimento e 6 centímetros de diâmetro, descansando sobre uma moldura.

O cano não era para construção. Era um pequeno canhão caseiro que havia sido usado em julho na batalha por Azaz, uma cidade no norte da Síria onde guerrilheiros antigoverno expulsaram o exército do presidente Bashar al Assad.

“Agora temos três ou quatro desses, mas precisamos fazer mais”, disse Mustafa, um dos homens que montou as armas em pequenas lojas de equipamentos onde desde o ano passado um aspecto fundamental da revolução contra o governo da Síria vem sendo realizado por homens que normalmente não carregam armas.

O trabalho de Mustafa, que também inclui a manufatura de bombas caseiras (“podemos fazer, todos os dias, 25 bombas”, disse ele), faz parte de uma iniciativa de base para criar o arsenal diverso e idiossincrático dos guerrilheiros. Este é um componente essencial da sobrevivência dos rebeldes e de seu recente sucesso contra o exército treinado profissionalmente com o qual eles estão presos numa disputa pelo futuro da Síria.

Trabalhando juntos e com o encorajamento de guerrilheiros antigovernistas, empresários e comerciantes locais organizaram uma rede para produzir armas, em parte delegando tarefas entre os vários setores. Algumas lojas produzem explosivos e propulsores, uma tarefa que um organizador, Ahmed Turki, diz que é melhor realizada por um pintor local com experiência em misturar químicos. Outros, que têm habilidades como eletricistas, preparam os circuitos para bombas improvisadas.

Especialistas em máquinas e metalúrgicos montam foguetes e morteiros, bem como as carcaças para bombas e artilharia ou os cilindros largos normalmente usados para guardar a pólvora nas bombas de caminhões ou de estrada. (Esses homens também fabricam as bases para camionetes abrigarem as metralhadoras capturadas das forças do governo; um novo desenho inclui um freio de moto para parar o movimento da arma enquanto o operador ajusta sua altura.)

Outros homens retiram o propulsor de tanques e peças de artilharia capturadas, que depois é adaptado nas armas dos rebeldes.

Como as forças contrárias a Assad não tiveram muito sucesso ao pedir armas para o Ocidente e apoio aéreo estrangeiro, os rebeldes criaram seu próprio projeto, desenvolvendo as artes obscuras da fabricação de armas com uma velocidade surpreendente.

Sob vários aspectos, as armas reunidas pelo levante aqui lembram aquelas da insurgência dos iraquianos contra as forças ocidentais, ou dos palestinos contra Israel. Isso se deve em parte, dizem os participantes, porque eles foram capazes de criar suas armas baseadas nos modelos usados em outros levantes do Oriente Médio.

“Nós copiamos os foguetes originais palestinos”, disse Turki, que desde então projetou sete estilos de foguetes de médio alcance.

Ele também desenhou planos para uma peça de artilharia de 62 milímetros que está em desenvolvimento e que foi mostrada, entre os testes, para dois jornalistas do The New York Times.

Misturando armas capturadas de seus inimigos com armas contrabandeadas pelas fronteiras, e acrescentando outras fabricadas pelos apoiadores dos rebeldes numa infinidade de lojas escondidas, as brigadas da guerrilha síria conseguiram retirar as forças armadas convencionais do país de áreas do interior no norte e, em outras áreas, cercaram o governo.

Esta indústria obscura – dinâmica e eficiente, mas também perigosa – serve como mais do que um fornecedor. É também um indicador tanto da organização local dos rebeldes quanto da falta de apoio logístico de fora.

O sucesso dos rebeldes com as bombas improvisadas foi bem documentado e vem sendo essencial para negar território às tropas do governo e às milícias leais a ele. Exames recentes do equipamento e entrevistas com contrabandistas e trabalhadores que ajudaram as unidades antigovernistas revelam uma indústria popular de armas ainda maior e enérgica fora do alcance e das vistas do governo.

Esses esforços variados são vistos localmente como um ingrediente essencial para derrubar o governo de Assad, e um meio pelo qual os homens que não são capazes nem têm inclinação para lutar com rifles podem contribuir com a revolta.

“Estamos sofrendo com a falta de equipamento”, disse Mustafa, que, como vários homens entrevistados para este artigo, pediu para que seu último nome não fosse publicado por motivos de segurança. “Então começamos a fazer nosso trabalho dessa forma.”

Turki organiza testes para armas que exigem um grau de constância e precisão, como foguetes e bazucas, cujo alcance pode ser determinado e cuja trajetória dos projéteis deve ser estabilizada com abas ou rotação. A peça de artilharia que ele ajudou a retirar da prancheta de desenho foi testada 20 vezes, mas seu alcance até agora não foi o ideal.

“Ainda estamos trabalhando nos projéteis”, disse Badr, que fez a arma com a ajuda de um assistente de 15 anos, Mohammed.

A arma foi apelidada de “Dadool”, disse Badr, gíria síria para um homem enérgico e acima do peso. Questionado se a arma estaria pronta para ser usada em batalha, ele apontou para uma caixa cheia de bombas caseiras.

Cada uma havia sido montada com canos e componentes fabricados na China, e coberta com um fio de estopim feito de malha de alumínio. Um detonador de ponto único foi montado a partir de um recipiente oco cheio de explosivo volátil. Isso serve para dar a ignição na carga principal do projétil quando ocorre o impacto com o solo.

“Com a ajuda de Deus estaremos usando essas em breve”, disse Badr.

Os rebeldes também compraram muitas armas e componentes de contrabandistas. Entre elas estão cápsulas de explosão para bombas e componentes de telefonia usados para fabricar detonadores remotos. E os rebeldes dizem que foram ajudados por o que antes pareceria uma fonte improvável: a distribuição de armas do Pentágono para as forças de segurança do Iraque.

Dois dias antes de Mustafa mostrar seu morteiro, um membro de uma tribo sunita que usa o nome de Abu Khaled chegou numa camionete num complexo residencial usado como base rebelde. Abu Khaled, que tem familiares na província de Anbar, Iraque, e no leste da Síria, estava contrabandeando armas.

Nesse dia ele tinha três metralhadoras leves RPD, um morteiro de 60 milímetros, quatro munições para morteiro e um saco de cartuchos de rifle 7.62x54R. Os rebeldes disseram que Abu Khaled era um de seus fornecedores fixos e que vinha trazendo armas do Iraque desde que a revolta começou no ano passado.

Numa entrevista, Abu Khaled disse que adquiriu suas armas do exército iraquiano e de policiais, que vendem livremente as armas velhas fornecidas pelos Estados Unidos.

“Eles vendem tudo”, disse ele, referindo-se às forças de segurança iraquianas como corruptas.

Ele apontou para as munições de morteiro.

“Comprei essas de xiitas que haviam recebido de soldados norte-americanos”, disse ele.

Abdul Hakim Yasin, comandante rebelde que o recebeu no complexo, pagou-o com um bolo de notas sírias.

Depois de uma refeição com os guerrilheiros e seu comandante, Abu Khaled e os dois homens que viajavam com ele foram embora. Eles estavam munidos de uma nova lista de compras, incluindo um pedido de mísseis antiaéreos com um lança-mísseis de ombro – um tipo de arma que os rebeldes dizem precisar com frequência, mas que não conseguem produzir nas garagens.

Todos os homens estão tentando fazer sua parte para alcançar o mesmo objetivo, disse Abu Khaled.

“Nunca vamos ter prazer em comer, dormir ou beber, ou viver como seres humanos, até que esse regime caia”, disse ele.