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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Jovens aderem à guerrilha islâmica no Cáucaso

Insurgência recruta atletas e tem apoio de milhares de pessoas

Violência no Daguestão 
O ex-guerrilheiro de 22 anos estava diante de autoridades da prefeitura da cidade para expressar seus remorsos. Dzhabrail Altysultanov disse que uma lavagem cerebral o tinha levado a pegar em armas contra o Estado e "ir para a floresta" e que seu desejo era esquecer que isso tinha acontecido um dia.

O vice-prefeito de Khasavyurt, cidade próxima da fronteira da Tchetchênia, admitiu que, na maioria das vezes, pessoas como o rapaz em questão não retornavam da floresta com vida.

O fato de Tamerlan Tsarnaev, um dos suspeitos dos ataques a bomba na maratona de Boston, ter passado seis meses no território russo do Daguestão no ano passado chamou a atenção para a guerra de guerrilha travada no norte do Cáucaso.

Investigadores estão se esforçando para entender o que Tsarnaev procurava na região, que testemunha uma guerra travada às margens da vida normal.

Homens jovens desaparecem de suas casas e ressurgem depois em contagens dos mortos de operações de contraterrorismo.

Embora o número de combatentes provavelmente não passe de algumas centenas, segundo a polícia, a guerrilha tem o apoio de milhares de pessoas, entre as quais figuram até mesmo policiais, que a auxiliam por medo ou solidariedade. É uma sociedade mergulhada num cabo de guerra em torno dos homens que se bandeiam para a insurgência.

"Você quer falar dos Tsarnaev", disse Saigidpasha Umakhanov, prefeito da cidade de Khasavyurt, na fronteira tchetchena. "Faz ideia de quantos Tsarnaev nós temos?" Umakhanov, que é treinador de luta livre, tem uma ideia precisa de quão próximos estão os combatentes.

Os guerrilheiros costumam recrutar atletas. Cinco dos melhores alunos de Umakhanov já se tornaram comandantes insurgentes, conhecidos como "emires". Os combatentes visitam Khasavyurt para caçar policiais -36 policiais foram mortos desde 2009- ou para deixar "flash drives" contendo mensagens de vídeo nas caixas de correio de empresários ou funcionários públicos, pedindo dinheiro e dizendo que, se não contribuírem, "Deus os castigará por meio de nossas mãos".

O Estado reage. Em abril, veículos de combate blindados e comandos mascarados cercaram o vilarejo de Gimry, nas montanhas, reduto islâmico de contestação da autoridade russa, e ordenaram a saída das mulheres e crianças.

As tropas bombardearam um desfiladeiro vizinho. Quando os moradores foram autorizados a retornar, muitas casas tinham sido revistadas e depredadas. Algumas tinham sido reduzidas a escombros.

Cerca de 350 pessoas morreram em 2012 em combates no Daguestão, que tem quase 2,9 milhões de habitantes. Dois terços dos mortos foram militantes e um terço eram policiais, segundo o serviço de notícias Causasian Knot. A mensagem das autoridades é inequívoca: a partir do momento em que um homem participa de um ataque, é pouco provável que ele continue vivo por muito tempo.

Altysultanov contou que ele e outros atletas de sua academia caíram sob a influência de Rustam Khamanayev, atleta mais velho que se descreve como "emir do jamaat de Aukhovsky". "Como Khamanayev dizia isso, eu pensava que os muçulmanos deviam viver num Estado regido pela sharia", disse Altysultanov. "Era essa nossa meta."

A campanha para reabilitar combatentes do Daguestão foi lançada quando Dmitri Medvedev, então presidente da Rússia e hoje primeiro-ministro, estava testando maneiras mais brandas de lidar com a violência no Cáucaso. Analistas citaram problemas da iniciativa, como a exigência humilhante de que cada combatente confessasse seus erros e condenasse a insurgência diante das câmeras da televisão, para finalidades de propaganda política.

Mas o maior obstáculo é o fato de que os jovens não confiam na polícia, disse Sapiyat Magomedova, advogada de Khasavyurt que representa acusados de dar apoio a insurgentes. Ela mostrou fotos de clientes que foram espancados em detenção, quando a polícia buscava confissões ou o pagamento de propinas. "Quem está empurrando esses jovens para a floresta?", indagou. "É a própria polícia. Os ultrajes e abusos cometidos por ela que levam essas pessoas a ir para a floresta."

Ex-ditador ainda motiva debates na Indonésia

Suharto
A arborizada rua Cendana, em um bairro próspero no centro de Jacarta, não mudou muito nas últimas décadas. Mas o antigo morador de uma casa que ocupa meio do quarteirão da rua iniciou mudanças drásticas na Indonésia.

Quinze anos depois de ele ter desaparecido do cenário político, continuam acirrados os debates sobre se as mudanças trazidas por ele foram boas ou ruins.

A rua Cendana é sinônimo de Suharto, o general que se tornou ditador e governou a Indonésia durante 32 anos.

Suharto, que morreu em 2008, salvou o país de uma calamidade política, social e econômica em meados dos anos 1960. Ele reduziu a pobreza e, no início dos anos 1990, havia transformado a Indonésia em uma das economias mais fortes da Ásia.

Mas governou de maneira implacável: mandou seus militares para regiões separatistas, prendeu e exilou inimigos políticos, sufocou as instituições democráticas e presidiu o que alguns consideram um dos governos mais corruptos da história moderna.

O dia 21 de maio foi o 15° aniversário da renúncia de Suharto.

Ele deixou o governo em meio a enormes protestos pró-democracia em Jacarta, a tumultos e ataques mortais a pessoas de origem chinesa em várias cidades e à calamidade econômica produzida pela crise financeira asiática de 1997.

Desde então, a Indonésia passou por uma transformação rumo à democracia. Hoje o país tem eleições livres e é a 16a economia do mundo. Mas, nesse país de 240 milhões de pessoas, a corrupção é endêmica, a criminalidade é maior do que sob o regime da Nova Ordem de Suharto e Jacarta e outras cidades têm problemas de trânsito crônicos.

"Ainda hoje, muita gente vê a época dele como os bons velhos tempos", disse Saprudin, guarda de segurança de 33 anos que só tem um nome. "Eu acho que, com o passar do tempo, mais pessoas vão se sentir assim."

Outros indonésios dizem que Suharto se agarrou ao poder, mesmo quando a economia desmoronava por causa de uma crise bancária em 1998, para proteger os interesses empresariais de sua família e associados. Eles continuam revoltados porque o presidente nunca foi julgado por corrupção e pelos abusos aos direitos humanos cometidos por seus militares e forças de segurança.

Essas forças não toleravam protestos de rua. Já hoje, vários protestos ocorrem por dia. Recentemente, cerca de 400 vendedores se manifestavam diante de um shopping center onde eles alugam espaços. Ivan Wijaya, 26, um gerente de loja no shopping, disse que a diretoria se recusou a se reunir com os locatários durante sete anos, o que os levou a organizar o protesto.

"Em 1998, não tínhamos liberdade de expressão", disse Wijaya. "Esse tipo de coisa ainda é ilegal em Cingapura e na China."

Em uma estação de trem próxima, um homem de 70 anos que comprava uma passagem disse que apoiava Suharto.

"A época de Suharto foi melhor -ele tinha uma estratégia e era um homem forte", disse o homem, chamado Sukirno, indiretamente criticando o atual presidente, Susilo Bambang Yudhoyono, outro ex-general do Exército cujos críticos dizem que é indeciso sobre questões políticas difíceis.

"A democracia aqui ainda está se formando", disse Sukirno.

Estratégia de defesa deve equilibrar “poder brando e poder robusto”, diz Amorim

O Ministro da Defesa, Celso Amorim, defendeu que o Brasil oriente sua atuação no cenário internacional “por uma Grande Estratégia que conjugue poder brando e poder robusto”. Segundo ele, o país deve unir esforços simultâneos em diplomacia e defesa para manter sua posição de independência e solidariedade global. “Uma política de defesa robusta é o respaldo indispensável de uma política externa pacífica”, explicou.

As ideias foram expostas em aula magna realizada nesta manhã no Instituto de Estudos Estratégicos (Inest) da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ). Na ocasião, Amorim explicou que essa Grande Estratégia deverá trabalhar para aprofundar o projeto comum de uma América do Sul coesa e integrada nas áreas de economia, logística, infraestrutura e comércio.

A cooperação internacional, inclusive com países do continente africano, ocupou lugar de destaque na fala de Celso Amorim. “Ligam-nos à África laços linguísticos, afetivos, culturais, sociais e econômicos”, afirmou o ministro, antes de elencar potencialidades exploradas pelo Brasil nos setores de agricultura, saúde, mineração e defesa.

Falando ainda da África, Amorim relembrou à plateia de estudantes a recente nomeação do general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz para o comando “da maior missão de paz das Nações Unidas atualmente”, a que ocorre na República Democrática do Congo.

Segurança
Ao enfatizar que o Brasil ocupa posição “ativa” e “altiva” no mundo, o ministro da Defesa alertou que, embora cultive a paz, o país pode ser objeto de cobiça em três tipos de crise: a ambiental, a energética e a alimentar. “Somos uma superpotência em todos os campos em que se abatem essas três crises. A América do Sul também é detentora de vastas reservas de todos eles”, completou.

Antes do início da aula magna, o diretor do Inest, Eurico de Lima Figueiredo, destacou que o instituto retira o país de um atraso de 65 anos em relação aos estudos de defesa. Em consonância com Figueiredo, o ex-ministro da Marinha, almirante Mauro Cesar Rodrigues, afirmou que a iniciativa cobre uma “lacuna grave” na divulgação dos assuntos pertinentes à área.

O reitor da UFF, Roberto Salles, pediu ao ministro mais integração das três Forças Armadas com a universidade, no que diz respeito à realização de cursos em áreas pertinentes à formação militar.

Sobre o tema, Celso Amorim disse que o Ministério da Defesa está sempre à disposição para aproximar a sociedade civil dos assuntos relacionados à Marinha, ao Exército e à Aeronáutica.

Criado em 2011, o Instituto de Estudos Estratégicos é um centro de formação e pesquisa voltado para a análise de questões relativas à Defesa Nacional e à segurança internacional. Tem como objetivo desenvolver e consolidar o pensamento brasileiro na área, formando recursos humanos graduados e pós-graduados em Estudos Estratégicos e Relações Internacionais.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Indonésia está interessada em comprar o porta-aviões espanhol "Príncipe de Asturias"


Desde que a Armada Espanhola retirou o porta-aviões "Príncipe de Asturias" de serviço, em fevereiro passado, o mesmo vem atraindo muitos interessados em sua aquisição.

O Príncipe de Asturias (R-11) encontra-se nesse momento atracado no arsenal de Ferrol, aguardando um comprado e ao mesmo tempo, segue os trabalhos de retirado do seu material útil.

Os planos anteriores, para aquele que foi a jóia da coroa para a Armada Espanhola por 30 anos, era o desmantelamento do Príncipe de Asturias (R-11), mas o Ministério da Defesa da Espanha abriu a possibilidade de venda.

Cada dia que passa, aumentam o número de países interessados no Príncipe de Asturias (R-11). Em abril passado, o jornal espanhol "La Voz de Cádiz", informou que países árabes e asiáticos tinham interesse no Príncipe de Asturias (R-11). Porém, não mencionou quais países desejam ter o porta-aviões.

Uma delegação da Marinha da Indonésia chegou à Ferrol no final de março para visitar o Príncipe de Asturias (R-11) e conhecer de perto suas capacidades. No entanto, seu governo descartou a compra. Se esse país comprar o Príncipe de Asturias (R-11), o mesmo entrar para o seleto clube dos países detentores de porta-aviões. Na Ásia, somente China, Índia e Tailândia operam esse tipo de belonave. A Tailândia opera o porta-aviôes HTMS Chakri Naruebet, que é quase idêntico ao Príncipe de Asturias (R-11). O porta-aviões foi construído entre 1994 e 1996 em Ferrol e foi entregue à Armada da Tailândia em 1997.

O Ministério da Defesa da Espanha colocou à venda, no mês passado, o Príncipe de Asturias (R-11) por somente €68 mil. Para efeito de comparação, o porta-aviões brasileiro São Paulo (A12) comprando junto à França em 2000 por cerca de US$ 12 milhões. O potencial comprador poderá assinar um contrato à parte para a modernização do Príncipe de Asturias (R-11), com a Navantia. Uma frofunda e custosa modernização foi o que acarretou na baixa do Príncipe de Asturias (R-11) na Armada Espanhola.

EMBRAER KC-390 - Aeronave de Transporte Militar


O KC-390 é a maior aeronave já construída pela industria aeronáutica brasileira e estabelecerá novos padrões ao transporte militar de porte médio em termos de performance e capacidade de carga. Com sua capacidade de 23 toneladas e velocidade máxima de cruzeiro de 465 nós (860 km/h), o KC-390 proverá significativos ganhos de mobilidade para seus operadores e considerável redução no tempo da missão.

Número de ataques por aviões não tripulados sofre queda


O presidente Barack Obama adotou os ataques por aviões não tripulados em seu primeiro mandato, e a morte de suspeitos de terrorismo passou a definir sua presidência.

Entretanto, apesar do acalorado debate sobre a legalidade, a moralidade e a eficácia da nova arma, o fato é que o número de ataques de fato está em declínio. Os ataques pelos chamados "drones" no Paquistão tiveram um pico em 2010 e caíram fortemente desde então; o índice no Iêmen caiu para a metade do ano anterior e nenhum ataque foi registrado na Somália em mais de um ano.

Em um discurso muito esperado na quinta-feira (22), na Universidade Nacional de Defesa, Obama fará sua tentativa mais ambiciosa até hoje de justificar os ataques e explicar seu resultado. É provável que ele acompanhe o andamento de suas promessas públicas, inclusive aquela que fez em seu discurso do Estado da União em fevereiro, de definir uma "arquitetura legal" na escolha dos alvos, possivelmente transferindo mais ataques da CIA para os militares. Ele deve também explicar por que acredita que os presidentes devem ser "restringidos" em seu exercício do poder letal; e tomar passos para tornar um programa secreto mais transparente.

No último final de semana, um membro do governo que viu o discurso, falando em condição de anonimato, disse que Obama também "vai rever a política de detenção e os esforços para fechar a prisão da Baía de Guantánamo; e ele vai expor como será o futuro dos esforços contra a Al Qaeda seus afiliados". Alguns dos partidários de Obama instaram-no a usar a ocasião para anunciar que uma parte de um estudo do Senado de 6.000 páginas sobre o antigo programa de interrogatórios da CIA será tornada pública.

Obama, que insistiu no início de sua presidência em ter um papel pessoal nas decisões de ataques, pode também lançar luz sobre o uso decrescente dos ataques por drones. As autoridades dizem que as razões incluem a redução da lista de alvos importantes da Al Qaeda, graças ao sucesso dos ataques anteriores, e fatores transitórios que vão desde o mau tempo até solicitações diplomáticas. Mais amplamente, contudo, o declínio pode refletir um cálculo diferente entre os custos de longo prazo e benefícios das mortes.

Algumas vezes, os membros do governo Obama compararam a precisão relativa do programa, a economia e a segurança para os americanos com o enorme custo em vidas e em dinheiro das duas guerras no Iraque e no Afeganistão. Com o tempo, contudo, os custos dos próprios ataques de drones se tornaram mais evidentes.

Boletins de morte de civis inocentes pelos ataques não tripulados –reais ou, como afirmam as autoridades americanas, exagerados- abalaram as alegações sobre a precisão dessas armas. Os ataques por drones se tornaram material para a propaganda da Al Qaeda, que os usou para defender a noção que os EUA estão em guerra com o islã. Eles foram descritos por terroristas condenados como motivação para seus crimes, inclusive o ataque fracassado a um avião que ia para Detroit em 2009 e a tentativa de explosão de um carro na Times Square em 2010.

Notavelmente, uma lista crescente de ex-funcionários dos governos Bush e Obama expressou preocupação que os ganhos de curto prazo dos ataques pelos aviões não tripulados na eliminação de militantes específicos talvez sejam superados pelos custos estratégicos de longo prazo. Entre as vozes de cautela estão Michael V. Hayden, que, como diretor da CIA em 2008, supervisionou a primeira série de ataques no Paquistão; Stanley A. McChrystal, general reformado que comandou as forças americanas no Afeganistão; James E. Cartwright, que foi vice-chefe do Estado Maior das Forças Armadas; e Dennis C. Blair, ex-diretor de inteligência nacional.

"Acho que os ataques foram tremendamente eficazes", disse Hayden, general reformado da Aeronáutica, falando em geral e não de uma operação em particular. "Mas as circunstâncias mudam. Estamos em um ponto muito mais seguro do que antes, e talvez seja hora de recalibrar".

Hayden disse que, em 2008, o "efeito de primeira ordem dessas operações –a morte de um homem perigoso"- era considerado tão importante que as outras consequências eram postas de lado. Mas com a ameaça terrorista reduzida, os efeitos negativos dos ataques merecem maior consideração. Entre eles, a alienação dos líderes dos países onde ocorrem os ataques; a perda de dados de inteligência de aliados cujas leis proíbem o apoio aos ataques dirigidos; uma erosão do consenso político nos EUA; e a "criação de propaganda de recrutamento para a Al Qaeda".

Uma das ambições de Obama ao assumir era forjar uma nova imagem mais positiva dos EUA no mundo muçulmano. Mas os ataques por aviões não tripulados, junto com o fracasso do presidente em cumprir sua promessa de fechar a prisão de Guantánamo, em Cuba, ajudaram por reduzir ainda mais o índice de aprovação dos EUA em muitos países muçulmanos. No Paquistão, por exemplo, 19% dos pesquisados pelo Pew Research Center tinham uma opinião positiva dos Estados Unidos no último ano da presidência de George W. Bush. No ano passado, o índice de aprovação tinha caído para 12%.

"Globalmente, essas operações são odiadas", disse Micah Zenko, acadêmico do Conselho de Relações Exteriores, que escreveu um importante estudo dos ataques programados neste ano. "É a cara da política externa norte-americana, e é uma cara feia".

É possível correlacionar o aumento e declínio dos ataques por drones no Paquistão e Iêmen com mudanças nas condições políticas. No Paquistão, por exemplo, a CIA cortou os ataques quando as relações pioraram –por exemplo, depois da prisão de Raymond Davis, contratado pela CIA, em janeiro de 2011, e depois da incursão de uma unidade Seal para matar Osama Bin Laden, em maio de 2011. O recente hiato nos ataques no Paquistão pode ter sido levado pelo desejo de não alimentar os sentimentos antiamericanos durante a campanha para as eleições gerais de 11 de maio.

Bruce Riedel, que foi analista da CIA e acadêmico da Brookings Institution, disse que havia muitas razões para a queda do número de ataques no Paquistão.

"Mas a crescente consciência do custo dos ataques por drones nas relações entre os EUA e o Paquistão provavelmente está no topo da lista", disse Riedel. "Eles são fatais para qualquer esperança de reverter o declínio dos laços com o Estado com armas nucleares que mais cresce no mundo".

No Iêmen, os ataques aumentaram fortemente no ano passado, com o apoio dos EUA aos esforços das autoridades iemenitas para recuperar territórios tomados pelo braço local da Al Qaeda após a tumultuada Primavera Árabe, disse Bill Roggio, editor do "Long War Journal", um site que acompanha esse tipo de ataque. Os números caíram desde então, e não houve ataques no Iêmen em fevereiro e março.

Roggio disse que o coro crescente de críticos –inclusive um jovem jornalista iemenita que criticou apaixonadamente os ataques em uma audiência recente no Senado- podem estar influenciando a política americana. "Tenho a sensação que a forte atenção sobre o programa está provocando maior seletividade ao ordenar os ataques", disse ele.

O Irã está nas mãos de um homem e de seu clã


Akbar Hashemi Rafsanjani
O dia 21 de maio de 2013 permanecerá como uma data importante na história da República Islâmica do Irã: nesse dia, ela se tornou um regime ditatorial como os outros - monolítico. Um único clã quer deter todo o poder. É uma má notícia, sobretudo para o futuro da questão nuclear.

O Conselho dos Guardiões da Constituição, uma das muitas instituições encarregadas de preparar sua eleição presidencial do dia 14 de junho, deveria selecionar uma dezena de candidatos entre cerca de 600 postulantes. Ele deu seu veredicto na terça-feira (21), eliminando os dois únicos candidatos que podiam contestar a linha do Guia da revolução, o aiatolá Ali Khamenei. A menos que haja uma surpresa de último minuto --algo sempre possível no Irã--, a eleição está sob controle: só restam na disputa personagens conhecidos por serem totalmente submissos ao Guia.

O conselho vetou a candidatura de um dos pais da revolução de 1979 --que derrubou o regime do xá-- , o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani. Riquíssimo e com redes em todo o país,  Rafsanjani é a quintessência do homem do 'establishment'. Ele foi próximo do Guia, garantiu uma campanha de assassinatos de intelectuais democratas, mas também se posicionou nos últimos anos como opositor interno.

Os "reformistas" --tudo aquilo que o Irã possui de classes urbanas modernas, instruídas, parte dos militantes do "movimento verde", esmagado em sangue durante a eleição presidencial anterior, em 2009--, se alinharam atrás da candidatura de Rafsandjani.

O outro candidato que desafiava a linha do Guia, Esfandiar Rahim Mashaei, é o braço direito do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Após dois mandatos, este último não pode se recandidatar. Em conflito cada vez mais aberto com Khamenei, que, no entanto, apadrinhou sua carreira política, o presidente em fim de mandato defendeu de forma determinada a candidatura de Mashaei, que também foi barrado na terça-feira.

Dentro do complexo jogo das instituições da República Islâmica, a presidência quase sempre foi um contrapoder em relação ao do Guia. Este encarna a autoridade religiosa, que tem o monopólio da decisão em último recurso, e não se envolve com a política cotidiana.

Esse equilíbrio, que já fora abalado em 2009, não existe mais. O Irã está nas mãos de um homem, Khamenei, e de seu clã, um grupo formado por uma minoria de dignitários religiosos e chefes dos Guardiões da Revolução, o braço armado do regime. Pela primeira vez desde 1979, uma única facção quer dispor de todas as alavancas de poder. Sua linha é a do Guia.

Intransigência quanto à questão nuclear --Teerã está acelerando seu programa de centrífugas--, apoio indefectível à Síria de Bashar al-Assad, ao Hezbollah libanês e recusa de um diálogo com os ocidentais: grande admirador da Coreia do Norte, o Guia vai consolidando suas posições. Mas, ao querer ele mesmo exercer de fato o poder executivo, ele muda de papel. Ele se coloca na linha de frente, se torna responsável pela situação econômica e estratégica do Irã. Tudo que anda mal deve ser atribuído a ele, em um país que ele está transformando em ditadura pessoal.