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sexta-feira, 2 de março de 2012

Presidente dá uma resposta correta à crítica dos militares


Uma das principais marcas da democracia brasileira é o eterno retorno, ainda que em baixa ou média voltagem, da questão militar. Cicatrizes do confronto entre o aparato estatal, tomado pelos generais em 1964, e os grupos de esquerda que combateram o regime autoritário permanecem até hoje, como demonstra o episódio que envolve a presidente Dilma Rousseff e oficiais da reserva.

Numa decisão enérgica, a presidente determinou que o ministro da Defesa, Celso Amorim, ordenasse aos três comandantes das Forças Armadas a imediata aplicação de punições aos 98 militares da reserva que assinaram um manifesto com críticas a seu governo e contra a Comissão da Verdade.

No texto, intitulado "Eles que venham. Por aqui não passarão!", divulgado na terça-feira, os militares fora da ativa criticaram a criação da Comissão, a qual consideram "ato inconsequente de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo".

Aprovada pelo Congresso e sancionada por Dilma Rousseff em novembro, a lei que cria a Comissão Nacional da Verdade foi fruto de intenso debate, inclusive com os militares, e representa uma tentativa da sociedade brasileira de conhecer melhor em que condições ocorreram violações aos direitos humanos perpetradas pelo Estado entre 1946 e 1988 - período um pouco mais extenso ao que durou o regime dos generais (1964-1985).

A Comissão da Verdade é uma iniciativa semelhante à que ocorreu em países vizinhos, que também passaram pelo jugo dos militares, como Argentina, Chile e Uruguai. Mas no Brasil terá uma finalidade muito mais branda, sem caráter punitivo. Mesmo assim, a Comissão desagrada aos oficiais da reserva pela capacidade de remoer e trazer à tona informações que expõem as ações arbitrárias dos anos de chumbo.

Em sua defesa, os militares geralmente argumentam que agiram em nome da sociedade, supostamente ameaçada pelo perigo comunista. De fato, a eclosão do golpe, em 31 de março de 1964, está inserido no contexto internacional de uma Guerra Fria polarizada entre as duas grandes ideologias que dividiram o século XX. Ambos os projetos, à direita e à esquerda, estavam eivados de ideias extremas, radicais, embora assentadas sob a justificativa da democracia.

De um lado, pela esquerda, havia o motor da fundação de uma democracia substantiva, baseada no princípio da igualdade, e cuja concretização poderia lançar mão da máxima de Maquiavel: os fins justificam os meios. Do outro lado, as baionetas defendiam os valores de uma democracia formal, garantidora da propriedade privada e em nome do princípio da liberdade.

Ocorre que no longo uso do aparelho do Estado feito pelos militares houve excessos, cassações de direitos políticos, prisões, torturas e mortes que representaram graves violações ao Estado de direito. O (re)conhecimento dos fatos e dos erros - proporcionado pela Comissão da Verdade - longe de implicar revanchismo pode significar a oportunidade das Forças Armadas afirmarem seus compromissos com os valores democráticos.

É a postura que permitirá prosseguir na cicatrização das feridas. Foi o caminho tomado, por exemplo, pelo Supremo Tribunal Federal, quando, em abril de 2010, confirmou a interpretação da Lei da Anistia, de 1979, que garantiu o perdão tanto para os crimes praticados pelos grupos de esquerda armados quanto pelos agentes da repressão.

A nota divulgada pelos militares da reserva não contribui para o clima de distensão. Pelo contrário, seu objetivo foi o de reafirmar outro manifesto, publicado no site do Clube Militar, no dia 16, e retirado do ar por pressão do Ministério da Defesa. O texto era igualmente contundente e criticava declarações das ministras Maria do Rosário (Secretaria dos Direitos Humanos) e Eleonora Menicucci (Secretaria de Políticas para Mulheres), além de uma resolução do PT sem maiores implicações.

No primeiro manifesto, os oficiais da reserva pediam que Dilma desautorizasse as declarações de suas ministras. No segundo, reclamavam da retirada do anterior por Amorim, "a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade para fazê-lo". A frase é infeliz, ao afrontar seu superior hierárquico, o ministro da Defesa.

Por lei, criada em 1986, os militares inativos têm direito a manifestar suas opiniões políticas. Mas continuam devidamente submetidos à disciplina militar.

Brasil se diz surpreso com suspensão de venda de aviões


O Ministério das Relações Exteriores reagiu formalmente à suspensão do contrato de US$ 355 milhões para o fornecimento de 20 aviões Super Tucano da Embraer à Força Aérea dos Estados Unidos, deixando clara a insatisfação do governo brasileiro com a atitude da Casa Branca.

A decisão foi recebida "com surpresa" no governo, segundo nota divulgada ontem à noite pelo Itamaraty, "em especial pela forma e pelo momento em que se deu". Em abril, a presidente Dilma Rousseff fará viagem oficial a Washington, retribuindo a visita feita pelo colega Barack Obama ao Brasil, no ano passado. O número 2 do Departamento de Estado está no país a fim de preparar o novo encontro.

Na nota, o Itamaraty diz que o governo "continuará a manter diálogo com as autoridades norte-americanas sobre o assunto" e sugere que o cancelamento da licitação vencida pela Embraer poderá influenciar a escolha dos caças de múltiplo emprego que o Brasil pretende comprar. Para o ministério, a decisão da Casa Branca "não contribui para o aprofundamento das relações entre os dois países em matéria de defesa". A americana Boeing disputa com a francesa Dassault e com a sueca Saab o fornecimento de até 36 caças para a Força Aérea Brasileira (FAB).

Para vencer a resistência do governo brasileiro quanto ao histórico de restrição em transferência de tecnologia, os Estados Unidos dizem ter feito uma oferta "sem precedentes" ao Brasil, com tratamento semelhante aos seus parceiros da Otan. Apesar do favoritismo do caça francês Rafale, a Boeing tem feito novas ofensivas para convencer a FAB e a própria Dilma a optar pelo jato americano F-18 Super Hornet..

A nova influência do Brasil


A potência em ascensão da América do Sul está se afirmando; mas um grande poder traz sempre grandes responsabilidades

Enquanto os Estados Unidos avançam de maneira hesitante para aceitar a nova realidade multipolar do mundo, dando um passo atrás para cada passo à frente, fazendo uma violação de soberania excepcional para cada esforço de colaboração em lugares como a Líbia, outros países estão trabalhando ativamente para estabelecer novas regras para todas as nações seguirem na nova era.

Entre os que estão na linha de frente desse esforço, contam-se a presidente brasileira, Dilma Rousseff, e seu respeitadíssimo chanceler, Antonio Patriota.

O desafio que Dilma e Patriota enfrentam como servidores públicos é assustador. Cada um deles segue as pegadas de um formidável antecessor.

O desafio de Dilma é, admitidamente, muito maior e, de fato, para muitos, parece quase insuperável. Ela sucede a dois presidentes que foram, provavelmente, os mais importantes da história moderna de seu país, Fernando Henrique Cardoso, a quem é creditada a estabilização da economia brasileira após anos de volatilidade, e seu antecessor imediato, Luiz Inácio Lula da Silva, não somente seu mentor, mas um integrante do pequeno punhado dos líderes mundiais mais importantes da última década.

Já o antecessor de Patriota, Celso Amorim, foi também formidável, extremamente influente, e uma presença constante no cenário brasileiro e internacional. O desafios eram grandes para todo o governo de Dilma.
No entanto, após um ano no cargo, e apesar de enfrentar grandes desafios domésticos e internacionais, a presidente já alcançou um índice de popularidade superior ao de Lula num ponto equiparável de seu mandato.

E Patriota está dando continuidade com calma, e aos olhos de observadores próximos, com grande habilidade, ao trabalho desbravador de Amorim para estabelecer o Brasil como um líder entre as grandes potencias mundiais.

“Temos uma grande vantagem”, observa Patriota. “Não temos inimigos reais, nem lutas em nossas fronteiras, nem grandes rivais históricos ou contemporâneos entre as fileiras das potências mais importantes… e temos laços duradouros com muitas nações desenvolvidas e emergentes do mundo.” Essa é uma condição que não é desfrutada por nenhum dos outros Bric – China, Índia e Rússia – nem, aliás, por alguma grande potência tradicional do mundo. Essa posição incomum é fortalecida ainda mais pelo fato de o Brasil não estar investindo tão pesadamente quanto as outras potências ascendentes em capacidade militar. Aliás, como observou Tom Shannon, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, o país é um dos poucos a efetivamente apostar seu futuro na aplicação sábia do chamado “poder brando” – diplomacia, alavancagem econômica, interesses comuns.

Não é por coincidência, aliás, que, em áreas que vão das mudanças climáticas ao comércio, da não proliferação nuclear ao desenvolvimento, o Brasil, sob o comando de Lula e Amorim e de Dilma e Patriota, vem ganhando força ao traduzir o crescimento consistente em casa e a diplomacia ativa no exterior em redes internacionais efetivas.

Mas o governo de Dilma também está rompendo com o passado. Enquanto Cardoso e Lula alcançaram a grandeza enfrentando e resolvendo alguns dos problemas mais ruinosos do passado brasileiro, da estabilização da economia ao enfrentamento da desigualdade social, Dilma, sem deixar de reconhecer o trabalho que resta a ser feito, concentrou sua atenção também na criação de oportunidades e num claro caminho para o futuro do Brasil. De seu foco em educação a seu compromisso com ciência e tecnologia passando por programas inovadores como “Ciência Sem Fronteiras”, ela está fazendo algo que nenhum líder latino-americano fez anteriormente, mas que se mostrou uma fórmula aprovada na Ásia.

Está comprometida em transformar o Brasil de economia baseada em recursos naturais e, portanto, dependente (o que significa dizer, vulnerável) a uma que conta mais para o crescimento futuro com as indústrias de valor agregado, a pesquisa e desenvolvimento, e a formação de mais cientistas e engenheiros.
Com base nisso, Patriota também está olhando para frente. Ele está indo além da era da política externa brasileira em que era inovador fazer o país olhar para fora de sua região e jogar um papel ativo nos assuntos globais, para um período, num futuro não muito distante, em que o Brasil, na condição de país com uma das cinco maiores economias e populações do mundo, de líder mundial em agronegócios e energia, assumirá sem hesitação que merece seu lugar à mesa.

Patriota esteve em Nova York por achar que um dos primeiros experimentos dessa era, a intervenção na Líbia sancionada pela ONU, saiu dos trilhos quando a missão autorizada pelas Nações Unidas de proteger o povo líbio foi deixada de lado pelas forças internacionais que intervieram tornando-se antes uma missão de mudança de regime. Ele não era nenhum admirador de Muamar Kadafi, que fique claro. Mas tem o sentimento inabalável de que, para a comunidade internacional operar de fato unida, ela precisa fazê-lo sob regras não só coletivamente estabelecidas, mas também coletivamente honradas.

Essa atitude provoca irritações, com certeza, em especial em países como os Estados Unidos que estão acostumados a operar segundo suas próprias regras. Essa é uma razão porque a iniciativa turco-brasileira de 2010 para costurar um acordo para desarmar a crise nuclear iraniana foi tão irritante para Washington. A medida, por mais ingênua que tenha parecido para alguns, antecipou o início de uma era em que potências regionais e emergentes, como Turquia com Síria ou China com Irã, são fundamentais para se alcançar os objetivos da comunidade internacional.

Patriota reconhece que os Estados Unidos, sob o comando de Barack Obama, e outras potências estabelecidas avançaram bastante para se adaptar a essa nova realidade. Dito isso, ele gostaria de ver Obama avançar mais. Por exemplo, os brasileiros estão entre as potências emergentes que pressionam por reformas reais na maneira como as instituições internacionais são conduzidas. Eles acham que a ordem pós-2.ª Guerra refletida na estrutura de poder do Conselho de Segurança da ONU e na concessão automática da liderança do Banco Mundial a um americano está obsoleta e que já é hora de alguma coisa que reflita as realidades do século 21 e seja mais consistente com os princípios democráticos sobre os quais essas instituições foram estabelecidas.

É difícil discordar dos brasileiros ou de outros sobre esses pontos. E a inconsistência mostrada pelo governo Obama nessa frente – oferecendo apoio a uma participação permanente indiana, mas não brasileira, no Conselho de Segurança, em certo momento parecendo simpático a uma abertura do principal cargo no Banco Mundial a um não americano, mais recentemente parecendo recuar dessa ideia – tem sido irritante e, eu diria, irrefletida.

O que Dilma e Patriota estão tentando fazer na frente internacional é, de fato, tão revolucionário quanto o que seus antecessores fizeram.

Eles compreendem que um multilateralismo bem-sucedido agora requer não só maior número de países, mas abertura a uma multidão de ideias.

Durante a Guerra Fria, o debate era binário: soviéticos ou americanos.

Em sua esteira houve a breve ilusão de que havíamos entrado num momento de fim da História em que uma filosofia de mercados e democracia liderada pelo Consenso de Washington adquiria uma espécie de status de monopólio no mercado das ideias. Mas depois vieram as tragédias gêmeas, frutos da arrogância, do Iraque e da crise financeira de 2008, a simultânea ascensão de novas potências como Brasil, China, Índia e outros – e entramos em uma nova era. Em meu livro, Power, Inc., eu me refiro ao lado econômico dessa era como um período de capitalismos concorrentes. Mas ele é também um período de filosofias políticas concorrentes sobre o papel, tanto do Estado, como das instituições internacionais. Nesse mundo, não só os Estados Unidos são apenas uma voz, mas são também uma voz enfraquecida que em cada evento será ouvida como a mera visão de menos de 5% da população do planeta. Ao mesmo tempo, outros terão de preencher o vazio criado pelo redimensionamento da influência americana. O Brasil está tentando fazê-lo e, é preciso notar, de uma maneira consideravelmente mais construtiva que a evidenciada por China e Rússia em seu desempenho pusilânime com respeito à Síria no Conselho de Segurança. Dito isso, as potências emergentes, o Brasil entre elas, precisam reconhecer que, neste novo mundo, se pretendem jogar papéis maiores, elas também terão de fazer escolhas duras e não simplesmente desconsiderar as questões complexas como problemas alheios ou fora do alcance do sistema internacional em evolução. Elas vão ter de aceitar cada vez mais que se as injustiças não forem contidas, os custos resultantes serão largados em suas portas.

Base no Maranhão simulará lançamento de foguete


Primeiro teste desde o acidente de 2003 que matou 23 pessoas lançará uma nave sem combustível

Centro de Lançamento de Alcântara
O Comandante do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), tenente-coronel César Demétrio Santos, anunciou ontem que a unidade fará uma simulação de lançamento do foguete lançador de satélite nacional VLS-1. O anúncio foi feito durante a comemoração dos 29 anos de fundação do centro espacial.

A operação de lançamento simulada não tem data marcada, mas está previsto o uso de um foguete inerte (sem combustível) em escala real para treinar os procedimentos de montagem do veículo, preparação de carga útil e operação de lançamento.

É a primeira vez que um foguete do tamanho do VLS-1 será testado em Alcântara desde o acidente com VLS-1 V03, em agosto de 2003, que matou 23 engenheiros e técnicos do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE). Desde então, o programa para desenvolver tecnologia de construção de veículos espaciais complexos, como o VLS-1, está virtualmente parado.

A previsão inicial era que o programa do VLS-1 seria retomado em 2009, mas falta de recursos fez com que ele fosse adiado por vários anos. Antes duas outras tentativas de lançar o VLS-1 de Alcântara fracassaram.

A Torre de Móvel de Integração (TMI), perdida no acidente de 2003 e onde o VLS-1 é montado e lançado, foi reconstruída com modificações, como torres para prevenir descargas atmosféricas. Missões menores com foguetes de teste têm sido feitas para manter a proficiência dos técnicos do CLA na operação de lançamentos espaciais.

Outros projetos. O comandante do CLA também anunciou que em 12 dias começa a primeira campanha de lançamento real de veículos espaciais brasileiros em 2012. A previsão é de que seja lançado um VSB-30 no dia 16 de março.

"Nosso foco para o biênio 2012 e 2013 é a preparação de foguetes e veículos de lançamento. Além disso, temos outros projetos no âmbito social, como é o caso do Alcântara Sustentável, que visa ao desenvolvimento dessa região", disse Santos.

'Irã não afeta relação Brasil-EUA', diz Burns


William Burns

Depois de afirmar que "parceiros não terão consenso sempre sobre todas as coisas", o vice-secretário de Estado americano, William Burns, declarou ontem, no Rio, que tanto o Brasil quanto os EUA coincidem que o programa nuclear do Irã não pode continuar sem que Teerã assuma a responsabilidade de submeter suas instalações à inspeção internacional.

Burns procurou desmentir que a posição do Brasil - menos rígida do que a dos EUA e de seus parceiros europeus - sobre o Irã possa comprometer a aproximação, que ele qualificou de "forte e crescente" entre Brasília e Washington.

Ele ressaltou, no entanto, esperar que o País se junte ao grupo de nações que pressiona os iranianos a demonstrar que seu programa atômico é realmente pacífico.

"Neste ponto específico, não há dúvidas de que Brasil e EUA compartilham a ideia de garantir que não haja proliferação de armas nucleares", declarou Burns. "O próprio Brasil já se mostrou como um exemplo bom nessa questão. Ele exerce seu direito de buscar a tecnologia nuclear para fins pacíficos, mas não foge à responsabilidade de submeter suas atividades à fiscalização internacional."

"Em relação à pressão sobre o Irã, há sinais de que seu governo esteja se encaminhando na direção de negociações. Não é possível que Teerã diga que não busca fins militares para seu programa atômico e, ao mesmo tempo, não permita a realização de inspeções", afirmou Burns.

O número 2 da diplomacia americana também anunciou a próxima visita da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, a Brasília para os dias 16 e 17 de abril - quando participa da reunião de cúpula da Sociedade para Governos Abertos.

quinta-feira, 1 de março de 2012

"Ainda estamos interessados no avião da Embraer", diz vice de Hillary


O subsecretário de Estado dos EUA, William Burns, disse nesta quinta-feira no Rio que seu governo "continua interessado" no avião Super Tucano da Embraer, apesar do cancelamento da concorrência de US$ 355 milhões da Força Aérea americana que havia sido vencida em dezembro pela companhia brasileira.

Em visita ao Brasil para preparar a visita da presidente Dilma Rousseff a Washington, em abril, Burns não quis entrar em detalhes das causas da anulação da primeira licitação, oficialmente atribuída a problemas com a documentação entregue pela Embraer. A empresa brasileira rebateu dizendo que entregou toda a documentação solicitada.

Ele reconheceu que "às vezes abusamos da paciência" dos outros, mas disse que espera que a disputa tenha novo desfecho o mais rápido possível e deu a entender que o Super Tucano continua no páreo. "A Embraer é uma grande empresa e o Super Tucano é um ótimo avião."

Ontem (29), a Força Aérea dos EUA informou que pretende agir rapidamente para refazer licitação por aviões de combate leve de uso no Afeganistão para garantir que orçamento para compra não expire no final de 2013.

Em um comunicado oficial, a Força Aérea declarou que, por uma medida "corretiva", decidiu suspender o contrato com a Embraer, que entraria em vigor no dia 2.

O subsecretário, segunda autoridade mais importante na hierarquia da diplomacia americana, tentou desfazer qualquer relação entre esse caso e a concorrência da Força Aérea brasileira para a compra dos novos aviões caça, na qual o F-18, fabricado pela Boeing americana, é um dos concorrentes, ao lado do Rafale francês e do Gripen sueco.

Disse que a oferta de transferência tecnológica feita pelos EUA no caso de o Brasil optar pelo F-18 é "sem precedentes" e equivalente à oferecida pelos EUA a seus parceiros da Otan (aliança militar ocidental). "[A opção pelo F-18] pode abrir a porta para uma parceria de longo prazo entre os dois países na área de defesa", afirmou.


PRESSÕES

Ele negou que a concorrência tenha sido anulada por razões de política interna americana em ano eleitoral --houve pressões da fabricante norte-americana Hawker Beechcraft, subsidiária da Lockheed Martin, desclassificada na licitação. "Não concordo com essa interpretação."

Desclassificada da disputa em novembro, a HB fez intensa pressão política e jurídica sobre a administração Obama e a Força Aérea para impedir que o contrato caísse nas mãos da brasileira, parceira da também americana Sierra Nevada.

Apelando para o sentimento patriótico em meio à crise econômica, a HB argumenta que o contrato é fundamental para que sejam preservados 1.400 empregos em território norte-americano.

"Recebemos a notícia de que a Força Aérea vai restabelecer a Hawker Beechcraft na disputa", disse na última terça-feira (28) a HB em um comunicado. À Folha a assessoria da Força Aérea disse, também na terça, que a decisão de requalificar a HB "ainda está para ser determinada".

A HB criou site, página no Facebook e perfil no Twitter para convocar a população a escrever para os congressistas a fim de pressionar a Força Aérea a não "exportar empregos" para o Brasil.

SURPRESA

A Embraer foi pega de surpresa com o rompimento do contrato. Em nota, a empresa lamentou a perda do contrato e disse que aguarda maiores esclarecimentos para decidir, com a Sierra Nevada, "os próximos passos".

"A Embraer participou do referido processo de seleção disponibilizando, sem exceção e no prazo próprio, toda a documentação requerida."

A empresa disse ainda acreditar que a decisão pelo Super Tucano "foi uma escolha pelo melhor produto, com desempenho em ação já comprovado e capaz de atender com maior eficiência às demandas apresentadas pelo cliente".

O contrato estava suspenso desde o dia 4 de janeiro (cinco dias depois de ter sido anunciado oficialmente).

Mas, mesmo após a suspensão do contrato, oficiais americanos deram declarações defendendo a escolha pelo Super Tucano.

Os aviões Super Tucano seriam usados para apoiar a operação militar americana no Afeganistão. Os EUA seriam a sétima força aérea no mundo a utilizar o avião.

ELOGIOS

Em discurso na antiga Bolsa de Valores do Rio, hoje transformada em centro de convenções, Burns fez elogios ao Brasil como "potência global emergente" e disse que o país é bem vindo no debate de todos os temas internacionais, incluindo os conflitos no Oriente Médio, mesmo quando há divergências entre Brasília e Washington --como nos casos da Síria, da Líbia e do programa nuclear do Irã.

O diplomata não quis comentar diretamente o pedido feito pelo Itamaraty para que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se pronuncie sobre a legalidade das ameaças de ataque militar ao Irã. Preferiu enfatizar que Brasil e EUA compartilham o interesse em evitar a proliferação de armas nucleares e insistiu que o governo iraniano "tem que responder" às dúvidas da Agência Internacional de Energia Atômica sobre o caráter pacífico de seu programa.

"Acreditamos que Brasil e EUA, como duas democracias, têm um papel particularmente importante para moldar a ordem internacional emergente", disse.

Ministério da Defesa da Rússia compra mais 92 caças-bombardeiros Su-34


Acima dois Su-34 da Força Aérea da Rússia

O Ministério da Defesa da Rússia assinou um contrato com a fabricante de caças Sukhoi para o fornecimento de 92 caças-bombardeiros do tipo Su-34 Fullback, assim informou o Ministério da Defesa.

O acordo que prevê que os caças sejam entregues até 2020, foi assinado pelo ministro da Defesa da Rússia Anatoly Serdyukov, e o diretor-geral da Sukhoi  Igor Ozar.

Esse contrato em específico é um dos maiores contratos de aquisição de aeronaves de combate assinados em marco do programa de aquisições governamentais e irá ajudar a substituir a frota de caças-bombardeiros Su-24 “Fencer”.

A Força Aérea Rússia iria receber 10 caças Su-34 no ano de 2012 e todos eles serão implantados no Distrito Militar Ocidental. No ano de 2011, 6 caças Su-34 foram entregues à Força Aérea Russa. Esses estão sob um contrato inicial de fornecimento de 32 caças Su-34. Se não houvera nenhum erro de tradução do russo para o inglês, logos podemos concluir que até 2012 a Rússia terá no mínimo 124 caças Su-34.

Até o presentemente momento a VVS tem a disposição 12 Su-34.

O Ministério da Defesa anteriormente afirmou que até 2015 a VVS terá a sua disposição 70 caças Su-34.

A Rússia começou a fabricação do Su-34 em série em 2008 em uma fábrica baseada em Novosibirsk, uma subsidiária da Sukhoi Aircraft Holding.

Projetado pela Sukhoi, o caça-bombardeiro Su-34 custa cerca de US$ 36 milhões, é biposto e está dotado com motores de pós-combustão AL-31MF.

O Su-34 foi projetado para oferecer um ataque extremamente cirúrgico a alvos fortemente defendidos sob quaisquer condições atmosféricas, de dia ou de noite. O Su-34 pode ser armado com uma vasta gama de armas: tem um canhão de 30mm GSh-301, até 12 mísseis Vympel R-27 (AA-10 Alamo) ou Vympel R-73 (AA-11 Archer), entre outras bombas.